Os quatro compromissos da Filosofia Tolteca e o Ho'oponopono - Parte 1



O livro Os Quatro Compromissos – O livro da filosofia Tolteca apresenta de forma simples e clara quatro compromissos que podemos assumir em nossas vidas de forma a transformá-la.

Em sua introdução, o autor, Don Miguel Ruiz, ressalta que vivemos em um sonho. Mesmo acordados, continuamos sonhando, pois aceitamos uma realidade de acordo com a moldura estabelecida por aqueles que chegaram antes de nós. Sentimo-nos seguros dessa forma, mesmo quando o mundo se apresenta violento, com guerras e injustiças.

Também somos condicionados a agir de acordo com a consequência dos nossos atos. Se fizermos algo “bom” seremos recompensados, mas se fizermos algum “ruim” seremos punidos. Na busca pela recompensa, continuamos fazendo o que é considerado “bom” mesmo quando percebemos que estamos agindo apenas para agradar a outras pessoas. De acordo com o autor, somos capazes de fingir ser o que não somos “porque temos medo de ser rejeitados”. E, a partir daí, “o medo de sermos rejeitados torna-se o medo de não sermos suficientemente bons”.

E o que ele afirma é: passamos a buscar justiça, beleza e todas as coisas boas no mundo, mas não conseguimos enxerga-las. Não conseguimos enxerga-las no mundo porque somos incapazes de enxerga-las em nós. Nossa crença sobre a nossa incapacidade de sermos bons e perfeitos nos “cega” e deixamos de nos perceber como realmente somos.

Para o autor isso nos leva a temer a vida. Segundo ele, nosso maior medo é estar vivo. Estar vivo e “assumir o risco de viver e de expressar o que somos na realidade. Simplesmente ser quem somos – isso é o nosso grande medo”. Buscamos constantemente a perfeição com o objetivo de agradar aos outros, mas ela é impossível de ser alcançada. E como não somos perfeitos, rejeitamos quem somos.

Praticamos a autorrejeição em diversos aspectos de nossas vidas e passamos a ser o nosso principal causador de sofrimento. Ninguém consegue nos superar, mas todos nós estabelecemos limites.


E o limite de sofrimento que nos impusemos é o limite de sofrimento que iremos tolerar de outros.

O autor explica: “se alguém faz você sofrer um pouco mais do que você mesmo, provavelmente você se afastará dessa pessoa. Mas se alguém faz você sofrer menos do que você costuma fazer, com certeza permanecerá no relacionamento, sendo capaz de tolerá-lo infindavelmente”.

O que os outros fazem conosco só é permitido por nós porque somos ainda piores com nós mesmos.

E quando afirmamos “não sou digno de amor e mereço ser tratado dessa forma” nos percebemos como alguém que está distante da imagem de perfeição que estabelecemos para nós mesmos. A partir daí, nosso nível de autorrejeição aumenta. E passamos a rejeitar os outros que também não atingiram o nível de perfeição que exigimos para nós mesmos. Não nos amamos porque não somos como imagem de perfeição que criamos e rejeitamos os outros porque eles também não o são.

A construção de uma imagem que entendemos perfeita para nós mesmos pode ser relacionada com as memórias que construímos na nossa infância. A forma como os adultos com quem convivíamos estabeleceram a relação de “recompensas e castigos” construiu em cada um de nós a crença do que deveríamos fazer para sermos merecedores de amor. E buscamos ser dessa forma constantemente, sem entender que é impossível atender a expectativa de outros todo o tempo. Além disso, desenvolvemos características que muitos consideram “boas” como o perfeccionismo, mas que é, para alguns autores como Brené Brown, uma característica comum naqueles que vivem com medo de errar e, consequentemente, de viver.


Para o Ho’oponopono, purificando essas memórias “re-conquistamos” o amor próprio perdido porque entramos em contato com nossa verdadeira essência. A imagem perfeita que construímos em nossas mentes a partir do retorno que recebemos daqueles que cuidaram de nós desaparece, pois passamos a perceber que não existe “perfeição”, o que existe é Amor.

Ao ler o livro de Don Miguel Ruiz sobre a autorrejeição que afligimos a nós mesmos, me lembrei do trecho do livro de Marianne Williamson, Um retorno ao amor.

Ela diz: “Nosso maior medo não é de sermos inadequados. Nosso maior medo é que nós somos poderosos além do que podemos imaginar. É nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?”.

Em seguida, ela conclui: “Na verdade, quem é você para não ser?” Você é um filho de Deus. Você pensando pequeno não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que outros não se sintam inseguros ao seu redor. Todos nós fomos feitos pra brilhar, como crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Não é somente em alguns de nós; é em todos. E enquanto nós permitimos que nossa própria luz brilhe, nós inconscientemente damos permissão a outros para fazer o mesmo. Enquanto nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente liberta outros.”

Como disse Don Miguel Ruiz, como também não encontramos perfeição nos outros, nós os rejeitamos. Mas quando nos amamos e nos aceitamos, passamos a amar também o outro da forma que ele é. Portanto, nós nos libertamos do nosso próprio medo (de não sermos merecedores de amor, pois não somos perfeitos) e libertamos os outros também (mesmo que eles também não sejam perfeitos).


Por fim, Don Miguel Ruiz ressalta a importância dos compromissos que assumimos com nós mesmos ao longo de nossas vidas na busca por essa perfeição. Aquilo que consideramos aceitável, aquilo que fazemos e como acreditamos que devemos nos comportar são compromissos que assumimos e que nos definem, resultando em nossa personalidade.

Para o autor um único compromisso não compromete nossa vida, mas muitos deles demandarão uma quantidade enorme de energia para, primeiramente, serem criados e, em seguida, para serem mantidos. Principalmente se eles foram estabelecidos com o propósito de buscar a perfeição ou atender as expectativas alheias.

E para combater esses compromissos que nos drenam a energia e que nos afastam de quem somos realmente ele propõe os quatro compromissos a partir de seu aprendizado como nagual ou conhecedor da sabedoria espiritual e mestre tolteca. São eles:

  1. Seja impecável com a sua palavra;

  2. Não leve nada para o lado pessoal;

  3. Não tire conclusões;

  4. Dê sempre o melhor de si.

Vou comentar sobre os compromissos em um próximo post.

O primeiro deles é especial e pode fortalecer ainda mais nossa prática Ho’oponopono.

Aguardem!

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